Quarta-feira, 1 de Julho de 2009

Distração

Quebraram-se as vidraças da minha redoma
Uma pequena pedra atirada para o alto
Alto risco me causou, fora ainda os estilhaços,
Que profundos cortes eu sofri.
Perdi toda a proteção
Que estava envolta em mim.

O filme do destino que se projetava
Quando olhava para o alto
Em cacos se reduziu.
Tudo a minha volta ficou vulnerável
Ou voltou-se contra mim.

Uma pedra, uma pequena pedra,
Atirada para o alto
Sem consciência, sem rumo.
Certeira, precisa!
Fez desmoronar um castelo
Que poderia ser para a vida inteira.

Quem pode entender? Uma pedra.
Um erro nas mãos de qualquer pessoa,
Jogado pra cima sem perceber.
Distração, descuido, inconsciência!
Pequenos atos impensados
Capazes de mudar uma vida inteira.
Distração!

D. Diogo Klock

Terça-feira, 30 de Junho de 2009

Aos Humanos VIII

Será que há algo que deixei de falar
Falei de menos? Mas falei tanto...
Não seria cansativo se falasse mais?
Por mim, falaria a vida inteira.
Mas não seria insuportável.
Hoje tenho medo
E o medo é a base da insegurança
Medo de perde-la, medo de sofrer
E fazê-la sofrer.
Queria fazer tudo certo
Para não correr o risco
Tentei... mas não foi o suficiente
Não sou perfeito.

Eu apostei, eu sempre aposto
Entreguei-me por inteiro
Fiquei sem defesa, apostei tudo.
No fundo, sabia o risco de perder
É um desespero sem motivos
Já sabia, mas no fundo a crença predomina
Sabia, mas acreditava
Esperança de que poderia ser diferente.

Triste ilusão...
Nada é por acaso!
Sempre haverão culpados
Mas como juiz de mim mesmo
Sempre erro nas sentenças.
Talvez tenha nascido para nada aprender.
Nunca aprendemos! Seria simples viver.

Audácia humana essa
De achar que tem que aprender e saber de tudo.
Nunca se sabe!
Como bom humano estou tentando entender
Mas olho à minha volta
E não vejo nenhum outro animal
Tentando o mesmo...
E simplesmente vivem.

Queria ser um cavalo marinho...
Mas aprendi a sofrer.

D.Diogo Klock

Sobre o Destino

Não falta lembranças
Para descrever a saudade
O que falta é força
Para encarar a realidade!
Percebida só quando é cruel
E tantas vezes.

Cresci, cresci...
Mas nada mudou
Tentei aprender com o que restou
Restaram lembranças e dor
Pensei ter aprendido
Mudei, mudei atos,
Mudei pensamentos
Comecei tudo novamente.

Tentei... Criei fantasias
Embarquei em novas aventuras
Acreditei outra vez.

Não me falta lembranças
Para descrever a realidade
A ultima saudade
A mais recente insuperável.
Já vi o futuro algumas vezes
Há algumas horas atrás
Já provei outros sabores.

Mas o destino é sempre o mais forte
Em outras vezes tentaria desistir
Tentei...
Mas ainda haviam curiosidades
Acreditei...
Queria saber até quando
Tirar a prova real
Sonhei...
Provei outras doses do destino
E até fiquei sentado
Vendo a vida passar
Passou, e por um tempo me perdi.

Me encontrei, encontrei alguém
Ainda haviam curiosidades
O curioso destino
Deixei-me levar
E mais uma vez
Não me falta lembranças
Para descrever
A mais recente insuperável
Mas eu já vi o futuro algumas vezes
E a curiosidade acabou.

D.Diogo Klock

Do tempo Juntos

Do tempo juntos, fez-se a proteção,
Um apoio, uma direção,
A coragem, razão com emoção
O florescer da primavera, verão
No inverno, o cobertor da alma
Na calma do outono, a fantasia
Fez-se luz, fez-se alegria.

Do tempo juntos, fez-se a confiança
Intimidade, a aliança
Na nostalgia, mudança de clima
Na vida o viver.

Vivemos, vivemos
Juntos vivemos e viveremos
Até quando,
É o que jamais saberemos.

D.Diogo Klock

Segunda-feira, 8 de Junho de 2009

Aos Humanos VII

Roubaram minha moto semana passada,
Mas a policia achou.
Em termos, digo, em partes,
Literalmente em partes.
Estava num desmanche,
Prenderam algumas pessoas
Até saiu no jornalzinho de hoje.
Toda desmontada e o chassi jogaram fora...

Fora os castigos da vida... Está tudo bem
Mas ainda estou desempregado
E as contas já venceram.
É... Esta tudo bem!
Outro avião caiu,
Mas não tinha parentes meus
O jornal vendeu, vendeu muito bem
É notícia para o mundo inteiro.
De quem é a culpa?
Da gravidade!

Está faltando uma roda da minha moto,
Só falta a roda e o chassi.
Pior o avião...
É grave!
Caiu, repetidamente caiu
Caiu a casa para os bandidos,
Caiu o avião...
Duzentas e tantas pessoas morreram
De fome, de tiros, de doenças...
Caíram também! Estiradas no chão,
Mas ninguém se importou em recolher os corpos.
A guerra ta feia em Gaza, em casa,
Nas ruas, nos bairros, nas escolas!
No Brasil, no mundo!
Milhões de dólares em buscas,
De petróleo, de armamento, de poder!

Encontraram alguns corpos... Mutilados
Que horror!!!
Eram dois mil, ou mais, mas não contaram
Jogaram tudo num buraco e taparam.
A guerra ta feia no Sirilanka!
Não é fácil...
Ta difícil controlar o tráfico de drogas no Brasil,
O governo ta investindo, está divulgando,
Fazendo campanhas...
Está tentando!
Mas os traficantes não aceitam sociedade
Querem o negócio só pra eles.

Mas tirando o ruim, o resto está bom,
Novas buscas estão sendo feitas,
Todos os dias,
Já encontraram algumas partes
Mas o chassi ainda não.

D. Diogo Klock

Quarta-feira, 13 de Maio de 2009

Aos Humanos VI

Não faz mais sentido
Os tempos mudaram, as crianças cresceram.
É uma geração nascendo a cada dia
E não é a geração Coca Cola.
Mas é da coca, da cola, da pedra.
Da perda!

Escolheram elas um caminho,
Ou foram os espinhos do destino?
Um menino queria ser advogado,
Sonhava com um futuro de bens privados.
Mas o único bem que conseguiu ter
Já tinha dono.

Não era ladrão, era mandado
Manipulado por um sistema
Que nunca conhecera
Ou entendera de verdade!

Capitalismo, vertente direta do egoísmo,
Propulsor da desigualdade e da desunião.
Vício inocente, basta ser sobrevivente
Para graves conseqüências sobressaltar.
Será que no futuro vai mudar?

D.Diogo Klock

Sábado, 25 de Abril de 2009

Aos Humanos V

Elas não queriam sorrir,
Preferiram as drogas ao invés
Da droga de vida que iriam viver.
Desistiram de tudo, não quiseram mais lutar.
Havia tantos caminhos!
Mas realmente podiam entrar?
Sempre serviram de chacotas do sistema,
Desse esquema
De, os mais fortes em poder aquisitivo
Aos mais fracos humilhar.
Estavam cansadas de esperar
Pelo paraíso prometido.
A luz no fim do túnel
Eram as chamas de um isqueiro
Um caminho de pedras
Que pensou ser uma saída,
Uma solução, uma recaída,
Um momento de fraqueza.
Era mais fácil fugir do que encarar,
Encarar o que? Pra que?
Cobram, impõem, implanta,
Interiorizam regras abstratas,
Regras de conduta, de sentimentos,
De atitudes, de convivência.
Uma grande massa abstrata
Que inconscientemente entranha,
Como um vírus, modifica pensamentos, manipula!
E qual a estrutura que temos?
Num mundo conduzido por regras antigas,
Uma superestrutura
De um tempo que a população era pouca,
Se comparado aos bilhões atuais.
O mundo evoluiu, mas essa grande consciência não.
E já não temos mais espaço para tantas pessoas
Viverem seguindo a grande consciência.
E não... A ciência não é capaz de mudar,
São vidas inteiras de dores
Para só no fim, ver algumas flores.
Flores no chão, flores no caixão.
E a luz no fim do túnel
Era apenas uma fresta na cova rasa
Mas seus olhos já não podiam mais enxergar.
Um jogo sujo e cruel!
E pra que? Por um lugar no céu?

D. Diogo Klock